• Redação Portal Povo

Meio Ambiente: Paraná tem quase 70 unidades de conservação

Nos cuidados de muitos desses parques ecológicos e reservas ambientais estão Geógrafos e Engenheiros Ambientais, Florestais e Agrônomos, que atuam na preservação da fauna e flora.



A fuga dos centros urbanos em busca do contato com a natureza tem sido frequente no Paraná, que tem 35% da área coberta por florestas naturais e plantadas. O IAP (Instituto Ambiental do Paraná) responde por 69 Unidades de Conservação (UCs), mas também há parques, reservas, florestas e matas municipais, administradas pelas prefeituras. No cuidado de muitos dessas áreas ecológicas e reservas ambientais paranaenses, estão Geógrafos e Engenheiros Ambientais, Florestais e Agrônomos, que atuam na preservação e conservação da fauna e flora. São 23.382 profissionais habilitados no Crea-PR (Conselho de Engenharia e Agronomia do Paraná) para atuar nessas áreas.


Todas as UCs têm sua real importância ambiental, cujo valor está na preservação e manutenção da fauna, flora e de espécies, inclusive em extinção. Outras áreas têm valor paisagístico e cultural de suma importância histórica e ambiental para o Estado.


Exemplos de grandes e importantes reservas são o Parque Nacional do Iguaçu e a área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba, que assegura a proteção de espécies importantes da Mata Atlântica. Segundo o IAP, a maior Unidade de Conservação de Proteção Integral administrada é o Parque Estadual das Lauráceas, com área superior a 32 mil hectares, localizado nos municípios de Adrianópolis e Tunas do Paraná.


O Cânion Guartelá é 6º maior do mundo em extensão 1Letícia Salomão. — Foto: IAP



Segundo o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, Rafael Andreguetto, a reserva tem árvores de grande porte com até 50 metros de altura que produzem frutos que alimentam espécies de fauna nativa. Ele destaca que o parque abriga a maior quantidade estadual de espécies de canela, um total de 45, além de grandes áreas que não tiveram interferência humana.


Considerado o 6º maior do mundo em extensão e o único com vegetação nativa, o Cânion Guartelá é uma das mais importantes unidades de conservação estadual, situado no Parque Estadual do Guartelá, no município de Tibagi, na região dos Campos Gerais. Numa proposta de desacelerar, a família da educadora física Elen Bocca, que reside em Maringá, conheceu o Cânion Guartelá neste ano.


Família maringaense faz caminhada espiritual em Tibagi. — Foto: Arquivo Pessoal


“Fomos para a cidade de Tibagi em uma excursão universitária, para uma caminhada espiritual, focada no bem-estar dos participantes. O que não imaginávamos era que encontraríamos um parque estadual tão grande e rico”, lembra. Entre as atrações do local estão as trilhas Básica e das Pinturas Rupestres, além das espécies de animais silvestres ameaçadas de extinção, como o tamanduá-bandeira, macaco-bugio, lobo-guará, jaguatirica, lontra, paca e cutia.


Profissionais em campo


Entre as quatro modalidades do Crea-PR que atuam em prol do meio ambiente estadual, o Engenheiro Ambiental é quem participa ativamente dos processos de tratamento e controle de resíduos depositados pelas ações humanas na natureza, e da recuperação de solos poluídos e degradados. Já o Engenheiro Florestal, auxilia na exploração sustentável dos recursos naturais das florestas (madeira, óleos, resinas, etc.). Neste contexto, o profissional também participa de projetos de reflorestamento e fiscalização de companhias que usam recursos naturais, como usinas termelétricas e siderúrgicas.


A atribuição dos geógrafos é nos aspectos físicos, biológicos e sociais que embasam a instituição de novas áreas. Os profissionais trabalham tanto no planejamento como na gestão de unidades de conservação. De acordo com o Geógrafo Danilo Giampietro Serrano, as unidades necessitam de um plano de manejo, que define o zoneamento das áreas restritas e de uso intensivo. “E uma vez planejada a instituição de uma unidade, o geógrafo também acompanha as ações desenvolvidas no planejamento.”


Parque Estadual de Campinhos, Tunas do Paraná. — Foto: Arnaldo Alves/ANPR


Por último, mas não menos importante, está o Engenheiro Agrônomo, que orienta o produtor rural para obter produtividade em sua propriedade respeitando a legislação ambiental, com técnicas de conservação de solo e água efetivas, participativas e dinâmicas.


A assessora técnica do meio ambiente do Sistema Faep/Senar, Engenheira Agrônoma Carla Beck, diz que o produtor rural é um preservador, que a propriedade é sua casa e que ele necessita dos recursos ambientais para produção. “Solo e água são os elementos primordiais para produção. A preservação da mata ciliar é um fator predominante importante para a qualidade da água dos rios e proteção de nascentes.


Então o produtor necessita manter esses recursos ambientais para continuar produzindo e alimentando pessoas”, ressalta.


Outras unidades de conservação


Quanto à vegetação natural estadual, são 5,8 milhões hectares, segundo o Inventário Florestal Nacional de 2018, levantamento realizado pelo Serviço Florestal Brasileiro do Ministério do Meio Ambiente. O estudo das florestas paranaenses apontou que a mesorregião Metropolitana de Curitiba concentra a maior proporção de cobertura florestal (58%). Já a mesorregião do Noroeste Paranaense apresenta a menor cobertura, de 11%. Porém, é nesta região que se concentra a segunda maior floresta urbana do Brasil, denominada como Cinturão Verde, porque circunda o município de Cianorte.



A reserva Cinturão Verde circunda o município de Cianorte. — Foto: Arquivo Prefeitura


A reserva é administrada pela prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O Engenheiro Agrônomo Guilherme Comar Schulz é o responsável pela pasta. Segundo ele, cuidar dessa reserva de 523 hectares é um desafio por causa da área urbana. “Administrar uma floresta desta dimensão que fica no meio da cidade não é fácil, por isto instalamos alambrado em toda a extensão da reserva. Para permitir o contato dos moradores com a natureza, construímos pistas de caminhada no entorno e fazemos, com frequência, ações de orientação e educação ambiental no município”, explica.


Além do Cinturão Verde, Cianorte e Tuneiras do Oeste dividem a Reserva Biológica das Perobas, que tem exemplares com mais de 30 metros de altura. A mata fechada abriga 300 tipos de plantas e diversas espécies de animais silvestres, como anfíbios serpentes, aves e mamíferos - algumas ameaçadas em extinção. A Reserva Biológica das Perobas, localizada entre os dois municípios, ainda protege 20 nascentes que compõem a microbacia do Rio dos Índios e outras 18 que integram a microbacia do Rio Goioerê, onde existem 18 espécies de peixes.



Parque Mata dos Godoy abriga 282 espécies de aves. — Foto: Arquivo Prefeitura de Londrina


Conforme o IAP, o Parque Estadual Mata dos Godoy é uma das últimas reservas naturais de mata nativa existentes no norte do Paraná, considerada uma Unidade de Conservação Integral. O parque abriga 282 espécies de aves (tucano de bico verde, araçari de bico branco, jacutinga, macuco, gralha-picaça e urubu-rei), 65 mamíferos (tamanduá-mirim, macaco-prego, onça-parda, lontra, quati, anta e o quase extinto gato-mourisco) e plantas raras como jacarandá, cabreúva, peroba, guaçatunga e pau-marfim.


A localização é na antiga Fazenda Santa Helena, a 20 km do centro de Londrina. Na mata existem trilhas bem estruturadas, que podem ser percorridas por pessoas de todas as idades e com todo tipo de intenção turística e ecológica.


Entre as unidades de conservação estaduais temos ainda o Parque Estadual de Vila Velha (Ponta Grossa), Parque Estadual da Cabeça do Cachorro (São Pedro do Iguaçu), Parque Estadual de Amaporã (Amaporã), Parque Estadual de Campinhos (Cerro Azul e Tunas), Parque Estadual de Ibicatu (Centenário do Sul), Parque Estadual de São Camilo (Palotina), Parque Estadual do Palmito (Paranaguá), Parque Estadual Rio Guarani (Três Barras), entre outros. Em Guarapuava, o destaque é o Parque Municipal das Araucárias.


O IAP está construindo um mapa interativo das 69 Unidades de Conservação do Paraná. Veja no site.


FONTE: G1