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Líbano atinge colapso hospitalar por Covid em meio a protestos

País vive primeiro grande surto desde o início da pandemia; protestos pedem o fim dos bloqueios


O Líbano vive o seu maior pico de contágios por Covid-19 desde o início da pandemia e já enfrenta escassez de recursos nos hospitais de todo o país, acordo com o jornal britânico “Financial Times”.

A crise sanitária e a crise econômica no país já geram uma nova onda de protestos. Na noite desta quinta (28), manifestantes incendiaram um prédio do governo após entrarem em confronto com a polícia em Trípoli. Um manifestante de 30 anos morreu ao ser baleado.

A população protestou contra os bloqueios impostos pelo governo nas últimas semanas. “As medidas afetaram a cidade, que já sofre com 69% de desemprego, 59% de pobreza e onde mais de 73% das empresas fecharam suas portas”, relatou o jornalista Sohaib Jawhar à agência turca Anadolu.



Profissionais da saúde já comparam a atual situação com um “cenário de Itália”. Com equipamentos respiratórios em falta, os médicos têm de decidir quais pacientes deverão receber atendimento.

As unidades de terapia intensiva do Líbano têm hoje lotação de 94%, disse Firass Abiad, gerente do hospital universitário Rafik Hariri, o maior centro hospitalar público e centro de referência contra o novo coronavírus no Líbano.

Muitos dos pacientes que demandam tratamento intensivo estão recebendo atendimento nos corredores e até nas portas das emergências. Boa parte dos infectados prefere se tratar em casa, o que alimenta o mercado ilegal de respiradores.

Equipamentos usados chegam a custar US$ 7,5 mil (cerca de R$ 40 mil) em negociações online – valor exorbitante para um população que viu sua moeda desvalorizar 80% frente ao dólar com a crise econômica desde a explosão do porto de Beirute, em 4 de agosto.

Caos político

Até às 15h desta sexta-feira (29), o Líbano somava pouco mais de 293 mil casos confirmados de Covid-19 e 2,6 mil mortes em decorrência do vírus. Desde o começo de janeiro foram mais de mil mortes.

O colapso no sistema de saúde tem origem na crise econômica e política que se acentuou no país em 2020. Apesar da pressão internacional, Beirute continua sob o comando de um governo interino após três premiês em um ano.

Para subsidiar suprimentos médicos, o Banco Central libanês raspa o que sobrou das reservas em moeda forte e insiste na ajuda do Banco Mundial. O órgão multilateral aprovou, no dia 21, o primeiro empréstimo ao país para a compra de vacinas.

O PIB (Produto Interno Bruto) do Líbano terminou 2020 com uma contração de 19%. Além dos empréstimos, o governo tenta implementar medidas de distanciamento, como bloqueios e toques de recolher.

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