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Cruzeiro cresce com a cara de Felipão

Vivendo o pior momento de sua história, o Cruzeiro apostou em Luiz Felipe Scolari para repetir uma fórmula conhecida nos clubes brasileiros em crise. Contratar um técnico medalhão que servirá referência hierárquica para o elenco e escudo para as críticas vindas da mídia e dos torcedores... E tem dado certo! Em pouco mais de um mês e 12 jogos disputados, Felipão conseguiu fazer o time reagir. Os números são bons. Sete vitórias e apenas uma derrota no período. Eles refletem uma melhora na competitividade apresentada pela Raposa nesta Série B. Jogando o futebol atual, o Cruzeiro pode sim sonhar com um retorno para a elite do Brasileirão, o que há pouco tempo parecia impossível. Não! Felipão não vem montando uma equipe vistosa. Faz o trabalho que sempre pautou a sua carreira. O desempenho e as ideias passam bem longe de um projeto diferenciado de futebol. A meta é bem clara. Ganhar organização defensiva e simplificar ao máximo as coisas na hora de atacar. Técnico e jogadores não admitirão publicamente, mas na situação em que o Cruzeiro começa a sair, vencer por 1x0 tem valor semelhante a uma vitória por boa margem de gols. Não a toa é o placar mais repetido na ''Era Scolari''. Pudera, o momento não pede nada muito diferente. Voltar a Série A é determinante para o time mineiro começar a recuperar suas finanças. Não fosse a punição imposta pela Fifa, que tirou seis pontos do clube na competição, a Raposa estaria muito mais próxima do G4. Ter maiores receitas, patrocínios mais abastados, e condições de se reequilibrar, está acima de produzir um belo futebol na estante de prioridades atuais.

Como Felipão vem montando o time-base do Cruzeiro nos últimos jogos Imagem: Rodrigo Coutinho Crescimento Defensivo Traço de vários trabalhos de Scolari ao longo da carreira, a organização defensiva melhorou. Agora marcando num sistema de encaixes e perseguições, o Cruzeiro tem média inferior a um gol por jogo nas últimas 12 rodadas. Antes a realidade era diferente. Felipão tem individualizado mais as responsabilidades de marcação em cada setor. Cada atleta encaixa em um adversário e o persegue até a jogada acabar muitas vezes. Como vários clubes da Série B possuem limitações técnicas grandes e dificuldade de se organizar coletivamente para atacar, os espaços que surgem naturalmente, fruto de tais perseguições, acabam não sendo aproveitados pelos rivais na maioria dos jogos. Subiu também a intensidade da abordagem de marcação. O experiente técnico conseguiu aprimorar esse comportamento nos atletas cruzeirenses.

Adriano comemora gol do Cruzeiro sobre o Brasil de Pelotas em jogo da Série B Imagem: Fernando Moreno/AGIF Destaque para o jovem Adriano à frente da linha defensiva. Quando está sendo atacado o Cruzeiro se posta num 4-1-4-1. E ele é o responsável por marcar no setor. Tem apresentando capacidade para bloquear as investidas dos meias adversários por ali. A dedicação dos pontas para marcar também é louvável. O time como um todo tem garantido uma subida de produção de Manoel e Ramon, zaga que vem sendo mais utilizada recentemente. Jogam mais protegidos neste momento. Ataques Simples e Diretos Felipão também nunca foi de montar equipes com vasto repertório ofensivo. Desta vez não é diferente! O Cruzeiro quase sempre constrói os seus ataques em passes longos endereçados ao terço final do campo. Busca a disputa da ''primeira bola'' pelo alto, a aproximação entre as peças para ficar com a ''segunda bola'', e acelerar a definição dos lances. Os pontas são muito acionados desta forma, principalmente Airton pela esquerda. Rafael Sobis, que voltou recentemente ao clube, também é acionado desta forma, e por mais que viva um momento de menos intensidade e força na carreira, acrescenta muito tecnicamente na realidade da Série B. Em poucos jogos com o time já vem ditando o ritmo ofensivo. Mesmo com algumas dificuldades físicas, segura a bola, aciona, e orienta os companheiros. Vem rendendo melhor do que Marcelo Moreno desempenhava na mesma função. Outro jogador que potencializou esse modelo ofensivo é Felipe Machado. Emprestado pelo Grêmio desde o início do ano, acrescenta mais dinâmica para ganhar a ''segunda bola'' após as ligações diretas e acelerar. É mais competitivo nesta realidade do que Régis ou Giovanni, outros nomes que fazem a mesma função.

Rafael Sóbis finaliza em jogo do Cruzeiro Imagem: Gustavo Aleixo/Cruzeiro O jovem Jadsom é outro que se insere bem nesse contexto, inclusive puxando rápidas transições quando o Cruzeiro recua o bloco de marcação, o que costuma fazer nos jogos fora de casa e quando está em vantagem no placar. Matheus Pereira é mais um jovem da base cruzeirense a ganhar espaço no time recentemente, desbancou Patrick Brey na lateral-esquerda e vem jogando melhor. Além dele, Cacá e Wellinton têm dado boas respostas quando acionados. O Cruzeiro necessário Jogar em contra-ataque, ligações diretas, ''fechar a casinha'' e tirar a velocidade das partidas com o placar favorável não representam novidades no futebol brasileiro. Pelo contrário, nos últimos anos foram ferramentas que empobreceram o jogo por aqui e deram títulos a algumas equipes com potencial para jogar mais. O que o Cruzeiro precisa hoje, porém, é vencer. É voltar pra Série A! E Felipão vem mostrando que pode conduzir isso. O que vier depois é outro papo. Fonte: UOL