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Afipe movimentou R$ 2,2 bilhões e comprou mais de 50 fazendas em nove anos, diz MP

Conforme promotor, somente uma das propriedades rurais custou R$ 90 milhões. Ela tem quase 12 mil hectares, fábrica para produzir 40 toneladas de ração por dia e 150 nascentes. Fundador da entidade, padre Robson se afastou de suas funções e nega irregularidades em compras.

Por Sílvio Túlio, G1 GO 27/08/2020 11h25 Atualizado há 15 horas Afipe movimentou R$ 2,2 bilhões e comprou mais de 50 fazendas em nove anos, diz MP O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) atualizou os valores relacionados à movimentação na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) nos últimos nove anos. Entre entradas e saídas, o montante chega a R$ 2,2 bilhões. Conforme a promotoria, grande parte é fruto de 1,2 mil transações imobiliárias, como a compra de mais de 50 fazendas. Uma delas custou R$ 90 milhões (veja acima). A entidade é alvo da Operação Vendilhões, deflagrada pelo MP-GO, que apura desvio de R$ 120 milhões de doações feitas por fiéis. A Afipe é responsável pelo Santuário Basílica de Trindade. Fundador da associação, padre Robson também é investigado e se afastou das funções temporariamente. Ele nega qualquer irregularidade.

  • Conheça a trajetória do padre Robson e entenda a investigação do MP

De acordo com o promotor de Justiça Sebastião Marcos Martins, o material apreendido durante o cumprimento dos 16 mandados de busca ainda não foi periciado. Entre os itens estão documentos e equipamentos eletrônicos, inclusive, um celular e um computador do padre Robson. O promotor afirma que, por isso, ainda não é possível estipular o patrimônio total da Afipe, mas a operação já conseguiu descobrir quando a entidade movimentou. "Até novembro de 2018, era R$ 1,7 bilhão. Pela repercussão que o caso deu, os bancos liberaram mais um período de movimentação. Nós conseguimos fechar até agosto de 2019, desde 2010, em R$ 2,2 bilhões", explica. Martins salienta que o marco inicial da análise - 2010 - foi escolhido por ser encontrado, a partir deste ano, um grande volume de negociações feitas pela Afipe.

Em nota, a defesa do padre disse que teve acesso ao inquérito próprio nesta semana e que "tão logo os advogados acessem todas as suposições do Ministério Público do Estado de Goiás, as informações necessárias serão prestadas e esclarecidas ponto a ponto".

Ainda conforme o comunicado, "o padre Robson é o maior interessado na verdade e na transparência. A defesa aguarda e insiste com o Ministério Público para que ele seja ouvido, o que não aconteceu nem foi agendado" até esta quinta-feira (27).

Fazenda da Afipe tem mais de 11 mil hectares e custou R$ 90 milhões em Goiás — Foto: Reprodução


Fazenda de R$ 90 milhões

Entre as propriedades adquiridas pela Afipe, está uma fazenda situada em Caiapônia, no sudoeste de Goiás, avaliada em mais de R$ 90 milhões. Segundo o MP, a propriedade está à venda.

Com uma área de quase 12 mil hectares, sendo 7 mil de pastagens, a fazenda tem aptidão para agricultura e pecuária e mais de 150 nascentes, além de ser cortada por alguns rios.

A propriedade tem ainda dois currais completos, abatedouro, alojamentos, quase 70 km de estradas internas e fábrica capaz de produzir até 40 toneladas de ração por dia.

A propriedade é um dos itens sequestrados pela Justiça durante a operação, além de outros imóveis e dinheiro depositado em contas bancárias.

Boa parte das transações imobiliárias - ao menos 1,2 mil - foram feitas pelo que o MP chama de "núcleo" de pessoas vinculadas ao padre e que também são investigadas.

Entenda o caso

  • No dia 21 de agosto, o MP deflagrou a Operação Vendilhões, que apura desvios de verba e lavagem de dinheiro na Afipe

  • A ação apura o uso de dinheiro da Afipe - em sua grande maioria doado por fiéis - na compra de fazendas, casas de praia e outros imóveis de luxo. O MP afirma que eram usados "laranjas" e empresas de fachada para a prática dos crimes

  • Um processo de extorsão sofrido pelo padre Robson originou a ação do MP. A Justiça afirma que um hacker extorquiu o pároco tinha um romance com ele e ameaçava expor casos

  • A investigação aponta que a Afipe movimentou cerca de R$ 2 bilhões na última década. Ao menos R$ 120 milhões teriam sido desviados

  • Fundador e presidente da Afipe, padre Robson se afastou do cargo por conta da operação. Ele era o responsável por gerir um orçamento de R$ 20 milhões mensais

Fonte: G1